segunda-feira, 11 de julho de 2011

A máquina de pão do Gigante - Capítulo I

No porão do castelo do gigante havia uma máquina de pão. Pão quentinho para o café. Pão bisnaguinha para o almoço. Pão doce para o chá da tarde. Pão de sanduiche para a janta. Pão francês para as visitas.
Um dia, uma das peças emperrou. Disseram que faltava óleo. Disseram que estava gasta.
Não se sabe ao certo. O que todos tem certeza é que depois do estrondo mais horrível que se viu, a máquina explodiu.
E a explosão foi tão forte que abriu um buraco no chão do porão. O castelo do gigante é construído em cima das nuvens e, imaginem o que aconteceu, as peças caíram na terra e se espalharam por todos os lados.
Eu era uma delas. Caí nas costas de uma cegonha que, acostumada a carregar peso, não se importou em me levar ao mundo para encontrar as outras peças perdidas.(Catherine de Leon)
Quando cheguei na terra era tanta história estranha, tanta conversa esquisita que resolvi ouvir. Peça perdida é coisa muito triste de se ver. Cada uma com seu destino. Cada destino com sua memória e eu ali no meio pronta pra anotar as histórias.
-Depois do estrondo não vi mais nada- falou a peça desamparada- e um vento forte me fez rodopiar. Um frio me abraçou inteira. Eu, uma peça que servia para , no tubo final, lançar a massa já sovada, não conhecia o frio. Senti que voava e de repente caí na água de um rio. Para minha sorte a água era rasa e enchia uma canoa abandonada.Que bom que te encontrei, não quero ficar só - disse a peça quase chorando, emocionada.(Maria Rosa)
-Vamos procurar as outras, suba na cegonha, vamos encontrar.
Depois de voar um pouco ouviram uma conversa fiada, resolveram descer.
-Eu estava trabalhando. Pão Grande. Exigia o máximo dsa engrenagens. Eu já estava exausta, ainda tinha muito trabalho pela frente. Não sei como aconteceu, mas via uma das peças voando. Depois disso, em alguns segundos todas as companheiras se soltaram. Tentei segurar uma das peças, mas ela escapou. Voei, voei alto. Coisa rara para peças de máquina. Desacordei, acho. Quando percebi estava num lugar diferente, novo. Um lugar grande, verde, rodeado por bancadas. Eram estreitas para serem usadas, talvez seja a escada do gigante. Pensei. Mas eram ideias para os anões. Percebi isso quando os vi sentados. Quando dei por mim uma fila deles vinha na minha direção. O da frente segurava  uma peça redonda. Pensei que era uma das minhas companheiras. Mas não. Depois de me olharem com estranhamento, me empurraram para foras das marcas brancas do chão e seguiram churando a peça esférica branca naquela grama verdinha.(Karen Drago)
-Sorte que me deixaram de lado porque aquela peça branca levou um monte de ponta-pés. Sorte que vocês me acharam. Vamos sair por aí?
As peças aceitaram a proposta. Quem não gostou muito foi a cegonha, mas acabou aceitando.O voo não durou muito, em pouco tempo avistaram outra peça, chegaram perto e perguntaram:
-Como foi a tua queda, companheira?
-Eu fui parar no quintal da casa de um guri tri curioso. Eu não poderia imaginar o que ainda ia aconteceu comigo. O guri me mostrava para todo os outros guris da sua turma e para cada um contava uma história diferente. Eu fui virado do avesso. Eu tentava falar a verdade, só que ninguém me ouvia. Que bom que vocês chegaram, assim posso ser ouvido por alguém.(Maria Lina)
 Estava claro que aquela peça precisava de atenção e foi assim que a convidaram para continuar a viagem. Durante todo o percurso ela não parou de falar. A sorte foi que lá de cima eles perceberam um brilhinho. Mínimo e resolveram descer.
-Ser um parafuzinho não é fácil. Como sou pequeno, sempre me perco.Faço parte de uma bonita e útil máquina que pertence a um gigante comilão. O gigante adora bolo, sonho e pão quentinho, mas não leva jeito para manejar máquinas, pois é desajeitado e tem as mãos grandes. Sendo assim, sempre me deixa cair quando tira o pão da máquina às 17h. Acabo indo parar em lugares estranhos da cozinha do castelo: embaixo do armário de talheres de ouro ou dentro da enorme geladeira de guloseimas do gigante.
A minha sorte é que sou salvo pelo cão farejador que é treinado para achar parafuzinhos para que o gigante nunca fique brabo porque sua máquina deixou de funcionar.
Dessa vez foi diferente. Não reconheço os pés do armário ou o assoalho da casa. Acho que estou em outro lugar.(Lívia)
-É verdade, houve uma explosão. Estamos todos perdidos. quer ajudar a procurar?
-Sou craque em pequenos espaços. Acho que posso ser útil.
E assim foram eles em busca de mais algum sobrevivente.
-Ai,ai,ai,que dor de cabeça!
-O quê é isso?-perguntaram juntos e resolveram pousar.
-Ai,ai,ai.Acho que tô enferrujado.O gigante deve ter deixado cair uma colher em nós, engrenagens, de novo. Ué, onde eu tô?Tô longe das outras engrenagens. Tá frio aqui, e tudo branco. Ei, um regulador de fogo está acostumado com o calor. Nem pode viver assim, no frio.
Nessa hora o misturador avistou uma placa, com as letras meio tortas. Nela está escrito: POLO NORTE.
-Ai, meu deus, onde é que eu estou?(Jonathan)
-Calma, calma, nós viemos te salvar.
A cegonha pegou o misturador no colo, cobriu com suas asas e voltou a voar pelo céu.

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