terça-feira, 12 de julho de 2011

A máquina de pão do gigante - capítulo II

A cegonha já cansada sentou na sua nuvem predileta e avisou para as peças que precisava descansar. Entregou lunetas especiais para que, lá de cima, pudesse procurar. E assim fizeram as peças, cada uma de um canto do céu,  procuraram as peças para remontar a máquina de pão.
A primeira peça encontrada foi o pistão.
-Só lembro de um calor profundo. O maior que já vi. Afinal, pistão de máquina de pão não tem memória. Quando acordei só vi poeira, amarela e granulada. E uma placa que informava: Osório 5km. pensei no meu amigo Gilberto, o gigante dono da máquina, que sempre me tratou muito bem, me lubrificava e limpava. Se eu não voltasse, como ele ficaria? E se não comesse mais pão? Minha sorte foi passar por mim um máquina diferente que, ao contrário da minha, andava por aí. Tinha rodas e um adesivo que dizia: "Tele-pão entregamos a qualquer hora". Ótimo, agora me resta esperar esta máquina passar novamente. (Luis Pucini)
Depois foi a vez do misturador.
-Eu era o misturador do fermento com os demais ingredientes e na hora da grande explosão eu fui lançado para fora da cozinha do gigante. A explosão foi tão grande que eu vim parar aqui na China. Sempre tive uma vontade enorme de conhecer esse país distante, com sua cultura milenar, berço das maiores descobertas que revolucionaram o mundo. Terra da matemática, da pólvora. Fui realmente agraciado pela sorte pois caí bem próximo a Muralha da China, que era a única construção feita pelo homem que conseguia ver lá do castelo do gigante, na Lua. (Vera)E vocês quem são?-Perguntou o misturador às peças de luneta.
-Estamos procurando as outras peças da máquina. O gigante está com fome e, em pouco tempo, ficará irritado e talvez resolva sair do seu castelo e bagunçar toda a terra.  Para que isso não aconteça precisamos tomar uma providência.
Eles foram interrompidos por uma nova história que surgia do outro lado do mundo.
-Abri os olhos e olhei ao redor. Minha cabeça estava tonta, não lembrava de nada. Por um momento não senti nada. Onde estou? Que lugar é esse?Como cheguei aqui? Não sabia nada. Aos poucos, o cheiro da fumaça foi acordando a minha memória. O momento da explosão no porão do castelo. tentei levantar, não consegui. percebi, então que parte do meu corpo estava partido. Meu Deus!Como ficaria a máquina de pão sem o rolo compressor. Desesperadamente comecei a girar e de repente, PLOFT, caí na água. Percebi que estava boiando sobre uma caixa na imensidão do oceano.(Cleusa)A sorte foi perceber que não estava sozinha. Do meu ladinho estava ela. A peça de interseção.
-Eu mesma. Minha função sempre foi manter o funcionamento regular das duas peças que eu unia. Nunca fiz nada além disso. Agora aqui, solta, num mundo desconhecido. Na hora hesitei, tentei resistir, mas a queda foi inevitável. tentei expandir minha materialidade para pairar no ar, me tornar uma peça com rotação própria. Não deu certo. Despenquei. O local era desconhecido. Sei que havia pinguins, muitos de inúmeros tamanhos. Uma certeza se esboçou: não estava no deserto.Não estava preparada para passar tanto frio. Pelo menos agora sei quem sou: uma geladeira ambulante que serve de casa aos pinguins gélidos e invasivos que entram e saem do meu corpo sem preocupação com a minha função anterior, que nunca soube ao certo qual era.(Pâmela)
-Estamos felizes que vocês tenham caído no mesmo oceano que, embora gelado, é fácil de se locomover. Agora a função de todas nós é voltar para o castelo e reconstruir a máquina. Não sabemos como fazer, mas vamos descobrir.
Nessa hora um barulho estranho tomou conta do céu. Vinha de longe , bem longe, mas dava para ouvir perfeitamente.
Plém.
-Au!
Aaaaaargh.
Blem plem blém.
Plém.
Ploft.
Bem feito. Quem mandou reclamar de tanto trabalho.
Plóim.
maldita ideia brilhante de rodar mais devagar de propósito, ranger em vez de girar tentando parar a máquina. A máquina explodiu aaaaiiiiiii, eu vim parar aqui, no meio da BR 386, e atropelada 9 vezes.
-Au.
Castigo de gigante é gigantesco.(Martina)

Agora sabiam o motivo da explosão. Era pouco para resolverem o problema, mas era tudo o que sabiam.


 

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